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Bolívia: O que realmente se passa

No último dia 20 de outubro a Bolívia finalizou o seu processo eleitoral, a partir deste dia também se iniciou um drama cívico no país.

O atual presidente Evo Morales disputava a reeleição e o ex-presidente Carlos Mesa entrou na disputa para governar o país, esses dois, os mais votados na ocasião.

Voltando um pouco na história recente, em fevereiro de 2016 o país realizou um plebiscito onde a população boliviana votaria se gostaria que o atual presidente Evo Morales poderia se reeleger novamente e os resultados foram que, não, a população não queria sua candidatura. Com 100% das urnas apuradas o “Não” somou 51,3%, enquanto o “Sim” teve 48,7%.

Indo contra a democracia e o plebiscito do país o então presidente Evo Morales candidatou-se.
No domingo, 20 de outubro com o encerramento da votação logo se instalou um drama, primeiro os votos na Bolívia são contabilizados de forma manual, um por um, pois a votação é realizada com cédulas.

Avenida Banzer . Santa Cruz

Bloqueio na entrada de Santa Cruz de la Sierra

Muitos flagrantes de fraldes foram registrados em forma de vídeos e depoimentos pela própria população.
Ao início da noite iniciaram a contagem dos votos, a disputa estava acirrada entre Carlos Mesa e Evo Morales possivelmente tendo uma segunda volta que seria o segundo turno, o que foi anunciado pelas mídias no domingo. As dez horas da noite o sistema do Tribunal Eleitoral saiu do ar e no outro dia anunciava Evo Morales como reeleito.
O Comitê Cívico de Santa Cruz de la Sierra onde realizou nas vésperas das eleições, um Cabildo, um encontro pacifico solicitando eleições justas, e que a democracia do país prevalecesse, reuniu mais de um milhão e meio de cruzeinhos. Este comitê Liderado por Luiz Fernando Camacho Vaca, invocou novamente a população para um PARO CÍVICO INDEFINIDO e a população o atendeu.

O Paro cívico, pacifico, iniciou-se terça-feira às 00:00, então a maior cidade do país parou, fechou suas ruas, avenidas, entradas e saídas da cidade, parou comercio, bancos, supermercados, escolas e universidades. Os hospitais, policiamento e farmácias seguiam com seus atendimentos normais.

A cidade de Santa Cruz de la Sierra parada foi espelho para outras cidades aderirem ao movimento de paro indefinido. Então entre muitos confrontos entre partidos em La Paz, Potosi, Cochabamba e outras cidades foram aderindo ao paro, porém em algumas cidades o apoio ao governo é grande o que gerou diversos conflitos entre a população e o então presidente Evo Morales, ao contrário de pacificar a situação, inflamou. O Secretario Executivo da Central Obrera Boliviana (COB), de Evo Morales, Juan Carlos Huarachi, autorizou o uso de explosivos contra os manifestantes opositores do governo, mesmo sendo inconstitucional.

Atos culturais nos bloqueios

O então presidente reeleito ameaçou também a invadir Santa Cruz de La Sierra e desbloquear toda a cidade.

Em La Paz, Cochabamba e cidades do entorno de Santa Cruz de la Sierra já registram muitos feridos e mortes durante os confrontos diários. Em Cochabamba registrou-se usos de explosivos. Indo contra a solicitação do governo de levantar os bloqueios o país segue nove dias parado.

Em Santa Cruz de la Sierra o Comitê autorizou a circulação de pessoas de bicicletas ou a pé, emergências, policiamento, funeral e pessoas com passagens de avião impressas são autorizadas a circular normalmente. Os mercados estão sendo reabastecido e a população compra seus produtos de primeira necessidade até o meio dia, depois tudo para novamente.

A união da população de Santa Cruz realiza missas em grandes bloqueios, reúnem-se e servem comidas para as pessoas que se revezam para manter as vias bloqueadas. Empresas disponibilizam água e gelo gratuitamente. A prefeitura Municipal está servindo três refeições diárias para mais de 100 pontos de bloqueios no município.

Os bloqueios estão sento realizados em diversas ruas e avenidas, hoje não há um número especifico de bloqueios e bloqueadores.

Durante a noite aonde a o movimento de pessoas é maior realizam terços, cultos, apresentações culturas nos pontos bloqueados. Lideres de bairros realizam revezamentos e barricadas médicas para auxiliar com emergências.

O que nós brasileiros aprendemos com Santa Cruz de la Sierra é que quando uma população consciente resolve mudar a sua história eles conseguem de forma organizada, pacifica e decidida. O povo boliviano me parece muito intenso, guerreiro e estão dispostos a tudo, até morrer por sua patria e assim está sendo nesta ultima quarta-feira. Dois homens morrem em conflitos diretos contra os apoiadores de Evo Morales.

Um novo Cabildo está sendo organizado em todas as cidades onde ocorrem os bloqueios.

Valente povo cruzeinho mantenhamos a calma, tranquilidade, paz, esperança e sobre tudo a fé em Deus. (Luiz Fernando Camacho)

O líder do Comitê Cívico, Luiz Fermando Camacho, representante do povo cruzeinho onde tem todo apoio da maior cidade da boliviana, exige a renuncia do atual presidente da Bolívia, “Se queremos um governo democrático através de um processo, agora exigimos a renúncia do presidente Morales o mais rápido possível.” Declarou Camacho. Caso isso não ocorra o bloqueio no país seguirá.

Os brasileiros que vivem e estudam em Santa Cruz de la Sierra estão apoiando o paro de Luiz Fernando Camacho. Produtores rurais ajudam com doações e auxiliam os pontos de bloqueio.

Para sair do país apenas com aviões, pois, as circulações de frotas também estão proibidas.

Na cidade de Montero, 40 km de Santa Cruz de la Sierra, no conflito direto entre opositores e oponentes, dois cruzeinhos faleceram, isto reforça ainda mais a solicitação de renúncia de Evo Morales.

Fonte: Jovemsulnews (Juliana Angeli)

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